quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Edgar Allan Poe: Na sombra do corvo



" ...E vêm depor os anjos, que este drama tão tétrico é 'O homem' e que o herói da tragédia de horror, é o Verme vencedor...!"

Poucos autores foram tão influentes quanto Edgar Allan Poe.Um homem que, apesar de brilhante, viveu sob a sombra do vicio que o levou a morte, o alcoolismo. Ele foi o criador do poema " O corvo", que marca a sua carreira pela forma assutadora porém sútil que apresenta a solidão, um corvo sombrio e atemorizante.

Sobretudo, o que mais chama a atenção nas obras de Edgar Allan Poe é que ele optou por criar apenas contos, que apesar de curtos, não seriam tão chamativos e impressionantes se colocados na forma de romance. Tendo um jeito único de iniciar a história, a primeira frase é o bastante para te prender até o final. Entre contos e contos que Poe criou, os melhores se encontram no livro "Contos de terror mistério e morte", como "O gato preto", "Metzergestein", e "Ligéia".

Este último, apesar de não se-lo totalmente, é na minha visão o conto de romance mais belo que já li, principalmente pelos versos que se seguem:

VEDE! é noite de gala, hoje, nestes anos últimos e desolados!
Turbas de anjos alados, em vestes de gaze, olhos em pranto banhados,
vêm sentar-se ao teatro, onde há um drama singular, de esperança e agonia;
e, ritmada, uma orquestra derrama das esferas a doce harmonia.

Bem à imagem do Altíssimo feitos, os atores, em voz baixa e amena,
murmurando, esvoaçam na cena; são de títeres, só, seus trejeitos,
sob o império de seres informes, dos quais cada um a cena retraça
a seu gosto, com as asas enormes esparzindo invisível Desgraça!

Certo, o drama confuso já não poderá ser um dia olvidado,
com o espectro a fugir, sempre em vão pela turba furiosa acossado,
numa ronda sem fim, que regressa, incessante, ao lugar da partida;
e há Loucura, e há Pecado, e é tecida de Terror toda a intriga da peça!

Mas, olhai! No tropel dos atores uma forma se arrasta e insinua!
Vem, sangrenta, a enroscar-se, da nua e erma cena, junto aos bastidores. .
A enroscar-se. . . Um a um, cai, exangue, cada ator, que esse monstro devora.
E soluçam os anjos - que é sangue, sangue humano, o que as fauces lhe cora!

E se apagam as luzes! Violenta,
a cortina, funérea mortalha,
sobre os trêmulos corpos se espalha, ao tombar, com rugir de tormenta.
Mas os anjos, que espantos consomem, já sem véus, a chorar, vêm depor
que esse drama, tão tétrico, é "O Homem" e o herói da tragédia de horror é o
Verme Vencedor
.

"O Verme conquistador" é o poema que ligéia, uma mulher no leito de morte, compõe e pede para que seu marido leia antes que ela se vá. O mais belo neste conto é o amor quase idolátrico que o protagonista expressa em palavras tão belas pela sua amada, levada pela morte.

Sem dúvida, Edgar Allan Poe deixou um legado mais que maravilhoso para os amantes de contos de terror, assim como eu.

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